Um dia desses, ao me deparar com um outdoor de uma grande peça em cartaz na cidade de São Paulo, chamou-me a atencao a seguinte expressão: "O musical que vai mudar a sua vida...".
De certa maneira, quem criou a frase não está completamente errado. Sabemos que a música tem grande influência sobre o ser humano.
Quando observamos, por exemplo, um show de heavy metal, pensamos como é possível uma multidão se comportar de uma maneira, muitas vezes, agressiva e rude, mesmo que a maioria desses espectadores não se comporte assim no seu cotidiano.
Também não podemos negar que já nos vimos, em várias ocasiões, emocionados ao assistirmos a uma apresentação de música erudita com orquestra e coral. Sendo assim, sem sermos exatamente estudiosos dos efeitos da música sobre a psiquê humana, notamos durante nossas experiências de vida o quanto esta relação é verdadeira.
Em se tratando do contexto cristão, precisamos desenvolver nosso ministério de música com mais cuidado, pois temos em nossas mãos um recurso que é, por si mesmo, envolvente e pode influenciar profundamente o emocional do público que interage conosco.
A Palavra de Deus nos orienta a buscar sabedoria e o entendimento com todo o nosso ser, para entendermos o temor do Senhor e o seu conhecimento. (Pv. 2:3-5)
Se quisermos louvar, adorar, glorificar, exaltar o nome de Deus através de música, como o faremos se não o conhecermos e se não buscarmos conhecê-lo cada vez mais?
O que temos presenciado atualmente, em nossos cultos, é uma supervalorização do que sentimos em detrimento do que conscientemente entregamos a Deus como oferta.
As músicas, muitas vezes, se apresentam de maneira a chamar muito mais atenção pelo seu ritmo do que propriamente por sua letra, ou conteúdo, que se mostram fracos do ponto de vista bíblico.
Outra questão, é a forma com que são ministrados os cânticos, sendo repetidos diversas vezes, quase se transformando em vãs repetições. Se o conteúdo de nossas músicas fosse melhor, haveria a necessidade desses recursos?
Precisamos voltar à Palavra e desvendar os princípios da verdadeira adoração. Segundo Romanos 12.1, Deus quer que nos apresentemos como:
1- Sacrifício vivo, ou seja, tudo o que somos, tudo o que temos e tudo o que queremos, entregue nas mãos do Senhor como oferta de gratidão.
2 - Sacrifício santo, de um povo separado do pecado para servi-lo. Como expressa o salmista: "Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem há de permanecer no seu santo lugar? Aquele que é limpo de mãos e puro coração...este receberá a benção de Deus". (Sl. 24:3-5)
3- Sacrifício agradável, porque a vontade de Deus é a nossa santificação (1 Ts. 4.3). Se estivermos no caminho da santificação, certamente o agradaremos. Este é o verdadeiro culto racional: louvar de forma inteligente aquele que nos criou.
A música é algo maravilhoso criado por Deus, mas ela tem de ser utilizada de forma a agradá-lo primeiramente e não a nós. Ele é o centro de tudo. Se o agradarmos, também nós sairemos felizes e satisfeitos de nossos cultos, não simplesmente porque sentimos a benção e sim, pela convicção de que fizemos a sua vontade.
[Fonte: Revista Mocidade Presbiteriana]
